Habitação
31/03/2026
APPII recebe eurodeputados em Lisboa para debater habitação
A APPII recebeu, esta manhã, deputados do Parlamento Europeu, que debateram sobre a crise da habitação em Portugal.
APPII recebe eurodeputados em Lisboa para debater habitação
Fotografia: Pexels

A Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários recebeu esta terça-feira uma delegação de eurodeputados da Comissão Especial sobre a Crise da Habitação na União Europeia, no âmbito da visita oficial realizada a Portugal ao longo desta semana.

A iniciativa teve como objetivo recolher diferentes perspetivas sobre a realidade habitacional no país, bem como identificar os principais obstáculos à sua resolução. Durante a manhã, o foco esteve na análise dos desafios no acesso à habitação, contando com a participação de Manuel Maria Gonçalves, CEO da APPII.

A associação defende uma maior previsibilidade regulatória e o reforço da colaboração entre os setores público e privado como pilares fundamentais para responder ao atual défice habitacional.

Citado em comunicado, Manuel Maria Gonçalves sublinhou que “a presença desta delegação em Portugal constitui uma oportunidade importante para promover o alinhamento entre prioridades nacionais e europeias, contribuindo para uma aplicação eficaz das futuras iniciativas no domínio da habitação acessível”.

Durante o encontro, a APPII apresentou um conjunto de propostas para mitigar o problema da escassez de habitação, atualmente estimada em cerca de 300 mil fogos. A associação alertou ainda para as dificuldades em viabilizar economicamente novos projetos, num contexto marcado pelo aumento dos custos, nomeadamente ao nível do licenciamento, da fiscalidade e da construção.

O responsável destacou que, apesar da responsabilidade social do setor, “a procura existe”, acrescentando: “Queremos construir a preços que as famílias portuguesas possam suportar”.

Segundo o CEO, é o somatório de vários fatores, como a falta de solo urbanizável, o elevado preço dos terrenos, os custos de construção, a burocracia, a carga fiscal, a falta de escala, a reduzida industrialização e a escassez de mão de obra que compromete a viabilidade económica da construção para a classe média, sobretudo nos grandes centros urbanos. “Sem viabilidade económica, não há investimento. E sem investimento, não há casas”, reforçou.

A reunião serviu também para sublinhar a necessidade de melhorar a articulação entre o setor público e privado, bem como de garantir maior previsibilidade, rapidez e eficiência nos processos de licenciamento e desenvolvimento imobiliário.

O mercado de arrendamento esteve igualmente em debate, com a APPII a destacar a importância de reforçar a confiança dos proprietários e criar condições que incentivem a colocação de mais imóveis no mercado. “Os proprietários têm de ter a garantia de que, caso o inquilino deixe de pagar a renda, ou o Estado assegura esse pagamento, ou é encontrada uma solução de realojamento em habitação pública”, defendeu Manuel Maria Gonçalves.

De acordo com a associação, este encontro poderá contribuir para a definição de medidas estruturais capazes de responder à crescente pressão sobre o mercado habitacional em Portugal.