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COPIP: o mercado de arrendamento deve ter "uma oferta mais profissional e estruturada"
Temas como o acesso à habitação pelos portugueses, o mercado de arrendamento e o PRR foram alvos de debate na primeira mesa-redonda da III Conferência da Promoção Imobiliária em Portugal.
07/05/2022
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A apresentação "Estudo de acesso à habitação pelos portugueses" realizada em conjunto por Ricardo Sousa, CEO da Century 21, e Ricardo Guimarães, Managing Partner da Confidencial Imobiliário, deu o mote à primeira mesa-redonda de debate da III Conferência da Promoção Imobiliária em Portugal, moderada por António Gil Machado, diretor da VI.

Como se convence as pessoas a arrendar?

Ao ser questionado sobre o facto de haver uma pressão cultural das famílias para comprarem e não arrendarem, Ricardo Sousa, CEO da Century 21, ressalta que, para convencer as pessoas a arrendar, o mercado de arrendamento tem de ter «uma oferta mais profissional e estruturada», pois atualmente existe uma «informalidade no mercado de arrendamento, os preços não espelham a realidade». O CEO da Century 21 em Portugal e Espanha, acredita que o «tema da pressão cultural que existe não se vai embora tão cedo» e enfatiza que cidades como é o caso de Loures, Almada, Montijo, Oeiras estão a ganhar força, têm cada vez mais oportunidades: «a promoção imobiliária tem de perceber que há também oportunidades fora da Área Metropolitana de Lisboa. Por exemplo, Leiria e Aveiro estão a ganhar força».

Para que o mercado de arrendamento funcione é fundamental que tenhamos «empresas focadas no mercado de arrendamento habitacional», refere João Cristina, Country Manager na Merlin Properties, frisando que a questão do licenciamento é um dos fatores que impossibilita a existência de mais oferta: «temos falta de produto, é um problema crónico. Resolvendo esta questão, conseguimos atrair capital estrangeiro, investidores».

"Há uma pressão imobiliária fortíssima"

Palavras de Fernando de Almeida Santos, Bastonário da Ordem dos Engenheiros, que frisa a importância de as políticas terem de ser públicas e não privadas. Atenta para o ponto do Plano de Recuperação e Resiliência, referindo que «tem de ser um produto acabado. A modelação das construções, a utilização das tecnologias: há que criar estratégias rápidas de se fazer isso». Declara também que a Ordem dos Engenheiros «está preocupada com a fileira da construção» face a este «contexto bélico que fez aumentar os preços dos custos de construção». Sublinha, para além disso, o facto de devermos ter «engenharias harmonizadas em todo o país».

"Comparativamente a Espanha, é um mercado praticamente inexistente"

Pelo facto de o custo de habitação estar 40% acima dos rendimentos das famílias, e também de não existir oferta, nem mercado imobiliário para arrendamento, Pedro Vicente, Administrador da Habitat Invest, refere que «o mercado sofre de escassez». Destaca que a Habitat Invest foi o promotor que mais lançou unidades para o setor, «foram 322, estamos a vendê-las regularmente» e que a «impossibilidade de vencer este problema do licenciamento em Lisboa, levou a Habitat a agir em outras geografias».

"Começámos o ano com expetativas muito positivas. Para o resto do ano, “copo meio cheio ou meio vazio"?"

Ao serem questionados sobre as expetativas que têm para o restante do ano, principalmente sobre a temática do acesso à habitação pelos portugueses, todos os presentes no painel responderam "copo meio cheio", sublinhando o facto de se manterem positivos e o dever de investirmos na nossa capacidade nacional.