APPII
Hugo Santos Ferreira: “Não conseguimos baixar a brutal carga fiscal que há e baixar o custo da construção”
O presidente da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários confessa que, quem mais vai sofrer com este aumento nas matérias-primas, é a classe média e as classes mais baixas.
12/05/2022
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Em entrevista à Renascença, o presidente do Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), Hugo Santos Ferreira, referiu que, aquando do aumento do preço das matérias-primas, que se agravou ainda mais com a guerra na Ucrânia, «nós, os promotores imobiliários, não conseguimos construir casas para os portugueses», confessando ainda que, face à procura existente, «nós não conseguimos ter mais habitação para a quantidade de procura que existe, neste momento».

Hugo Santos Ferreira revela que o constante aumento do custo das matérias-primas, e o subsequentemente do aumento do preço de construção, torna-se um «um dos maiores desafios que todo o setor imobiliário enfrenta num cenário de pós-pandemia» hoje, porque tem um impacto direto no preço da casa que os portugueses são capazes de pagar.

O aumento do nível de preços das matérias-primas, anunciado pela Ordem dos Engenheiros do Norte na semana passada, causa um maior impacto na classe média, pois «é aí que os promotores imobiliários, que são quem faz os edifícios, e toda uma fileira, a começar na construção e acabando, também, na indústria dos materiais, enfrentam limites, isto porque existe um certo preço que as pessoas podem pagar», de acordo com Hugo Santos Ferreira, lamentando que, «é muito difícil construirmos casas acessíveis aos portugueses» com os custos de construção vigentes.

O presidente da APPII sublinha que, é muito difícil construir no mercado interno português, pois «não conseguimos diminuir o tempo dos licenciamentos e, portanto, ter mais casas disponíveis mais cedo no mercado. Não conseguimos baixar a brutal carga fiscal que há sobre a casa dos portugueses. E não conseguimos também baixar o custo da construção», argumentando ainda que um contrato de empreitada, «estará já desatualizado» apenas dois dias depois.

«Estão a ser repensados vários investimentos, nomeadamente na habitação, porque é aí que esta situação, em muito, se faz sentir. Haverá menos casas no mercado, havendo menos casas no mercado o preço vai continuar a subir», explica Hugo Santos Ferreira, referindo que o mercado da habitação em Portugal tem «muita procura e pouca oferta».

O presidente da APPII alega ainda ser um mito que se criou quando se diz que «os promotores imobiliários só olham para o mercado internacional e que em Portugal são os estrangeiros que ditam as regras de compra de casas», de acordo com a Renascença, citando o inquérito onde constata que «92% dos promotores imobiliários querem fazer casa para os portugueses, não querem fazer casa para os estrangeiros», constata Santos Ferreira.

Aquando da subida de preços aos compradores (mesmo após terem assinado o contrato de compra e venda), por parte dos promotores imobiliários que são “obrigados” a subir os mesmos por vias do aumento do preço de matérias-primas e da escassez de casas no mercado, Hugo Santos Ferreira revela que «este é um problema que agrava toda a cadeia de valor, começa na construção, pelos próprios empreiteiros, que vão querer refletir, e têm procurado refletir, esse aumento dos preços também nos próprios contratos de empreitada com os promotores», acrescentando ainda que «tem havido uma renegociação de muitos contratos. Desde os contratos de empreitada até aos próprios contratos promessa de compra e venda. Portanto, eu diria que estamos a assistir a um fenómeno preocupante».

O presidente da APPII revela ainda a sua preocupação, pois «os portugueses vão continuar sem ter habitação acessível às suas carteiras».