Investimento
Logística é “o setor que todos os investidores procuram”
Otimismo moderado, bom ambiente e bastante dinamismo, são estas as palavras que os especialistas das principais consultoras usam para descrever as perspetivas para o mercado imobiliário em 2021.
09/03/2021
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Apesar da pandemia, o mercado imobiliário em Portugal mostra-se resiliente e dinâmico, e a logística parece liderar os interesses dos investidores (não só em Portugal).

É o que defendem os especialistas que participaram no webinar “Tendências e Desafios 2021”, organizado esta semana pela APPII, pela VI e pela Ci. Participando no debate moderado por António Gil Machado, da VI, Eric van Leuven, da Cushman & Wakefield, afirmou que «a logística é hoje o setor que todos os investidores procuram. Não há dia em que a imprensa especializada não fale de operações deste mercado ou do Multifamily». Descreve «uma alteração substancial de paradigma», e recorda a anterior preferência pelos escritórios e pelo retalho nos últimos anos.

Eric van Leuven confirma a maior procura por ativos próximos dos centros urbanos, onde «a oferta é deficiente, e há 10 anos que não se faz logística nova com alguma escala. Os ativos que existem hoje em dia já não respondem às exigências da distribuição moderna». Por isso, «hoje temos vários promotores nacionais e estrangeiros que se posicionam para criar a oferta necessária para dar vazão, como é o caso da Merlin Properties».

E recorda que «há muitos anos que alertamos que, com o crescimento do ecommerce, a logística deveria crescer também. Em 2020 notou-se o aumento da procura», e destaca a grande atividade de empresas do setor alimentar que são, simultaneamente, ocupantes, proprietárias e promotoras imobiliárias. Paulo Silva, da Savills, defende que «só a partir do nível em que estamos (com o ecommerce a representar cerca de 20% das vendas do retalho em 2020) é que se nota a necessidade do aumento da logística».

João Nuno Magalhães, da Predibisa, também atestou que «o Porto começou a ter bastante procura de last mile, muitos operadores quiseram aumentar a sua operação no Norte do país, e procuram armazéns próximos das cidades. Temos alguns promotores à procura de oportunidades».

APPII preocupada com falta de apoio do Estado às empresas

Hugo Santos Ferreira, da APPII, deixou neste webinar um sentimento de confiança no mercado, mas também alguma preocupação com as políticas públicas de investimento ou com a intervenção do Estado no mercado.

Acredita que, para muitos investidores, «o principal inimigo hoje não é a pandemia, e sim o Estado, e é dele que os investidores têm fugido, nomeadamente devido à burocracia». As medidas de limitação ao regime de “golden visa” estão no topo das preocupações, bem como a suspensão do pagamento das rendas fixas nos centros comerciais, que já justificaram várias ações na justiça contra o Estado português.

Por outro lado, em relação ao Plano de Recuperação e Resiliência, ou à Estratégia de Longo Prazo de Recuperação dos Edifícios, mostra-se preocupado com o facto de não incluírem «“green bonds”, porque importa não esquecer que as novas políticas públicas advêm de fundos comunitários europeus, todos eles baseados na sustentabilidade e economia circular. Apelamos à unificação de promoções imobiliárias com escala e dimensão, que possam ajudar na política pública e os nossos governantes a colmatar as lacunas do país. Estranhamos não haver um financiamento bonificado através destas “green bonds” para este tipo de operações». Isto porque, principalmente em matéria de habitação, «a oferta pública não será suficiente para colmatar as carências do país. O Estado sempre nos mostrou que nunca foi bom promotor imobiliário, e os promotores e investidores querem fazer parte das estratégias públicas nacionais. Não considerar os privados nestas políticas públicas deixa-nos com muito receio do futuro», partilha. (...)

Fonte: Vida Imobiliária