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Mitigar o problema dos aumentos dos custos de construção a "trabalhar em conjunto"
Na segunda conferência do SIL Investment Pro, debateram-se temas como aumento dos preços de construção e os efeitos causados pela instabilidade internacional.
17/05/2022
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A segunda e última sessão do SIL Investment Pro, teve como moderador Ricardo Guimarães, da Confidencial Imobiliário, onde se debateram temas como o aumento dos preços de construção e os efeitos causados pela instabilidade internacional em que vivemos.

João Paulo Sousa, CEO da JPS Group, atentou para o facto de os custos de construção já virem «a ter um aumento muito significativo, tal como a escassez de materiais e de mão de obra. O setor estava adormecido e agora está a ser pressionado para se mover a alta velocidade». O CEO da JPS Group referiu ainda que «temos de olhar para o setor e criar medidas imediatas para combater estes custos de construção, assim não damos a oferta necessária que gostaríamos de dar ao setor» e que «medidas de médio-prazo têm de ser incluídas: novas tecnologias, criação de escolas de formação para o setor, por exemplo a nível da mão de obra, assim como chamar mais pessoas para o setor face à escassa mão de obra, criando benefícios para melhorar salários e fidelizar pessoas. Temos de pôr em prática estas medidas». Confessou ainda que «podíamos lançar mais se houvesse vontade do outro lado de pôr mais casas, mas essa vontade só existe de nós, privados».

Cecile Gonçalves, Board Member do Grupo Libertas, e Paula Fernandes, CEO da RAR Imobiliária, concordam que aquilo que mais se receava era esta escassez de materiais, «se não houver ferro a pessoa não se pode construir. É toda uma cadeia», referiu Cecile Gonçalves, que ainda declarou que «o ajuste de preços passa muito pela construção. A cultura tem de mudar um pouco e os consumidores finais têm que perceber que um pré-fabricado não é sinónimo de má qualidade».

Já, Pedro Vicente, Administrador da Habitat Invest, confessou que está «cansado deste registo permanente de encontrar problemas em tudo, principalmente neste setor. Estes problemas são cíclicos, temos é que nos adaptar a eles», referindo que a mensagem que gostava de partilhar «não é alucinada, tenho os pés bem assentes na terra: temos de ser positivos, é mais um desafio, e temos tido muitos». No entanto, sublinhou que «Lisboa estava a perder interesse como destino de investimento» e que a «APPII tem sido fundamental para dar dados e ajudar dentro da Câmara a alterar este cenário». O Administrador da Habitat Invest acredita que «o licenciamento que se pratica nos põe quase a um nível de país de terceiro mundo» e que «o problema da habitação é dramático, é transversal a todos nós: eu não vejo possibilidade de ser ultrapassado. Os portugueses não vão conseguir comprar casas».

Henrique Silva, COO da Norfin, alega que o setor «tem de incluir financiamento, quem vende, quem constrói e quem investe. Tem de ser feito de forma transversal. Desafios trazem mais custos à construção, tudo o que é sustentabilidade envolve mais investimento. Temos de perceber a nova realidade do mercado e temos de encontrar novas formas de ultrapassar estas questões, que esperemos que sejam transitórias».