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O ressurgimento de um processo de inflação "muito significativo e nada transitório"
Augusto Mateus, economista, e Luís Marques Mendes, Abreu Advogados, foram os dois intervenientes que iniciaram o debate da “Conferência Imobiliário: incertezas em contexto de inflação”, organizada pela APPII, Abreu Advogados e Confidencial Imobiliário
09/06/2022
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Nesta terça-feira, dia 7 de junho, realizou-se a “Conferência Imobiliário: incertezas em contexto de inflação”, com o apoio da APPII, Abreu Advogados e Confidencial Imobiliário, na sede da Abreu Advogados, em Lisboa. Enunciados como o momento atual do mercado imobiliário, e o seu contexto político e monetário, bem como os impactos nos agentes económicos, principalmente na promoção e investimento imobiliário, foram alguns dos temas debatidos ao longo da conferência, tendo em conta os desafios que o futuro trará.

AUGUSTO MATEUS

“Vivemos uma situação económica complexa, é o mais simples que se pode dizer”

Augusto Mateus, renomado economista, foi o primeiro interveniente na manhã desta terça-feira, introduzindo o tema “Perspetivas da política monetária europeia”, retratando de forma objetiva os problemas que a pandemia trouxe e o impacto da inflação na União Europeia e em Portugal em específico, «a inflação que se instalou é clara e todas as causas de inflação estão presentes. Tivemos a Inflação pelos custos, procura e por assimetrias. Estamos agora a ter a inflação por inércia». Constatou que o clima de incerteza é enorme «com o aumento das taxas juro, crise de abastecimentos e crise energética, guerra na Ucrânia etc.» e no fundo «aquilo que está em causa é tratar de uma doença que se chama inflação» com a mudança de um ciclo de «deflação para inflação», referiu Augusto Mateus.

Em termos do imobiliário, para o ex-Ministro da Economia do Governo de António Guterres, parece «óbvio» que algumas das bases do imobiliário «alteraram-se profundamente» e «o acesso à habitação, com a aquisição de habitação com recurso a crédito, vai ser impossível para famílias com baixo rendimento. O acesso à habitação com taxas de juros bastante baixas creio que vai deixar de existir», referindo que «temos de encontrar soluções para o imobiliário, através de uma maior parceria entre os stakeholders». Concluiu frisando que «todas as atividades económicas precisam de uma boa política macroeconómica, que se preocupe com a correção dos desequilíbrios existentes, gerando emprego e crescimento geral, em todos os setores».

LUÍS MARQUES MENDES

“O agravamento da inflação não começa com a guerra, mas agrava-se com ela”

Luís Marques Mendes, da Abreu Advogados, foi o segundo interveniente na conferência, retratando o tema “Portugal e os desafios do futuro”, em termos do de impasse militar e político que vivemos. Por conta do quadro geoestratégico, «Portugal pode ter uma oportunidade: a segurança é uma mais-valia no turismo. E, com a guerra, nascerão oportunidades para Portugal, que é o país mais longe geograficamente da Europa, em termos do conflito».

Referiu ainda que as «subidas das taxas de juro, no domínio da habitação, é um risco», no entanto crê que o investimento estrangeiro é cada vez mais uma realidade, «o investidor estrangeiro que pensa em turismo, pensa em Portugal». Do ponto de vista energético acredita que «vai acontecer uma revolução energética, com a diversificação de fornecedores», destacando o Porto de Sines, que vai ter uma «importância estratégica muito importante».