Co-living
XXV SPECIAL Executive Breakfast Session
Co-living é "parte da solução" na inovação da habitação
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O co-living é uma das principais tendências do imobiliário e um desafio assumido para o futuro. E num momento em que a habitação é um desafio um pouco por todo o mundo, pode desempenhar um papel central enquanto conceito inovador no setor.

As palavras são de Williams Johnson, embaixador da Co-Liv em Portugal, onde a empresa se deverá estrear em breve, e CEO da B-Hive Living, que falava durante a XXV Special Executive Breakfast Session, organizada em Lisboa pela APPII, em torno do tema “Co-living: Get inside the millennial-inspired co-living boom”.

Para o responsável, o co-living é um «setor jovem do imobiliário» e ainda há vários conceitos a desmistificar e legislação a definir. Trata-se de «uma nova forma de viver com base na sharing economy, uma forma flexível, juntando espaço, serviços e comunidade». Resulta da procura por habitação em cidades mais caras. «Em 2050 cerca de 70% da população vai viver em cidades, significa que temos de encontrar casa para 3 biliões de pessoas, e a inovação no setor da habitação vai ser absolutamente necessária. O co-living é parte da solução».

Por outro lado, «o preço do imobiliário está a crescer acima dos salários, e partilhar casa é uma solução óbvia para lidar com isso. E a experiência humana mudou. Estamos mais ligados, mas mais sós, principalmente os mais novos. Criar uma comunidade é o antídoto para isso, numa altura em que os pubs, a igreja ou os clubes estão a desaparecer gradualmente das grandes cidades».

Sempre foi comum partilhar casa, mas Johnson destaca que, atualmente, esta procura «é o reflexo de uma nova geração que representa 2,5 biliões de pessoas, que precisa de conveniência, preços acessíveis, ambiente tecnológico e flexibilidade».  Por isso, o co-living «tem de responder à economia e às expetativas das pessoas».

Desafio é “entregar (e desmistificar) a comunidade”

«Não nos vemos como agentes que vendem coisas tangíveis como uma casa, mas sim um lifestyle, uma forma mais social de viver», diz Johnson, que ressalva que «a parte mais importante do negócio é a comunidade, é o que o define», e é também o mais difícil de conseguir, nomeadamente o equilíbrio entre escala, intimidade, conveniência e participação.

No caso da Co-Liv, a aposta passa pela disponibilização de vários serviços, como limpeza, internet, mobília, aplicações, sempre tendo em vista a criação de uma comunidade. «No co-living os habitantes não são servidos como num hotel, têm de fazer o seu papel como na sua casa, e têm de participar na comunidade».

E desengane-se quem pensa que o único público-alvo do co-living é a geração millennial: Johnson atesta que o coliving é «para todos. Temos casais, solteiros, famílias. O nosso cliente mais novo tem 7 anos, e o mais velho tem 75». Além disso, mais de 50% dos clientes tem mais de 30 anos, e encontra-se numa fase madura da sua vida profissional, não sendo freelancer ou empreendedor. E é um mercado que faz sentido também para os nacionais de cada país, não só para estrangeiros.

Lisboa tem de “encontrar o ADN do seu co-living”

«Lisboa precisa de co-living», diz o responsável, que encontra uma cidade que precisa de «uma solução escalável para os problemas do acesso à habitação, e de um ponto de entrada para os novos “lisboetas”», numa altura em que tem a maior comunidade de nómadas digitais do mundo. Mas falta legislação para definir claramente se este é um equipamento ou habitação.

«Propomos que os promotores vejam os operadores de co-living como parceiros. Precisamos também que o Governo reconheça esta como uma tipologia de habitação com licença própria e adequada, e que seja visto como um bom investimento», ressalvou.

O auditório da MLGTS acolheu também a 30 de janeiro o arquiteto Matthias Hollwich, da Hollwich Kushner, que acredita que «Lisboa tem de encontrar o ADN específico do seu co-living, pois é diferente em cada cidade» para que continue a ser uma cidade global e competitiva. Sem ele, «as cidades vão perder o barco e ser menos competitivas».

O Para Hollwich, a procura é indiscutível. No entanto, este é um segmento novo, que responde «a uma geração que ganha menos dinheiro que as gerações anteriores», e tal como noutras cidades do mundo, em Lisboa o co-living precisa «de ajuda do poder político para que exista um modelo legal adequado», alertou. Além disso, «ainda ninguém tem a resposta certa».

A redução das dimensões dos apartamentos é uma das soluções, nas quais a Hollwich Kushner tem vindo a trabalhar, especialmente em Nova Iorque. A colocação de infraestruturas num só piso, a inclusão de módulos pré-fabricados ou a introdução de áreas comuns são algumas das ideias que podem ser aplicadas, aumentando a densidade dos projetos e minimizando os custos.

Co-living não é só para jovens

O conceito de co-living faz tanto sentido para jovens como para os mais velhos, e «pode fazer uma grande diferença nos boomers», diz Hollwich.

Isto porque podem evitar a «segregação» dos atuais lares ou casas de saúde, e contribuir para que «se goste de envelhecer». «As pessoas têm de ser bem apoiadas nos seus anos finais, e é a comunidade que deve fazer isso. Toda a gente tem de ser integrada, e é importante que tenham sempre atividades e convivência».

Um co-living sénior pode ter os seus serviços específicos, locais para fazer exercício, áreas comuns, de saúde, cozinhas ou zonas de refeição: «é tudo o que já conhecemos do co-living para millennials», e esta pode ser uma solução para alguém que tem uma casa que já é demasiado grande para as suas necessidades.

Hollwich dá o exemplo de um T2 que tenha um espaço comum ao centro, com flexibilidade para fechar ou abrir os vários módulos da casa, alugando um dos quartos, por exemplo, mantendo a área comum. Ou instalando uma cozinha comum, ou um ginásio, ou qualquer outro tipo de espaço que faça sentido para cada caso. Havendo flexibilidade do espaço, o seu uso pode ser adaptado.