Cidades Inteligentes
XXVI Executive Breakfast Session da APPII
Espaços urbanos inteligentes são “a grande alavanca de mudança das cidades”
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Os espaços urbanos inteligentes são «a grande alavanca de mudança» das nossas cidades, na direção da eficiência e do futuro.

As palavras são de Miguel de Castro Neto, professor e subdiretor da Nova Information Management School, especialista na área das cidades inteligentes, orador da mais recente Executive Breakfast Session da APPII, organizada recentemente, em Lisboa.

Este encontro aconteceu no hotel Tivoli, enquanto preparação da Conferência da Promoção Imobiliária - “Dos Edifícios às Cidades Inteligentes”, que terá lugar a 11 de abril no âmbito da Semana da Reabilitação Urbana de Lisboa, no Pátio da Galé. A sessão será coorganizada pela APPII, pela VI (uma das organizadoras do evento) e pela Nova IMS.

Esta discussão acontece numa altura em que a mudança da economia linear para a circular é imperativa, e «o chavão “smart” já começa a mudar, e não está só associado a tecnologia», comenta Miguel de Castro Neto, dando o exemplo do conceito de “livable cities”. Importa «pensar o papel dos promotores não só nos edifícios, mas também nestes espaços urbanos. Os desafios devem ser pensados logo na fase de projeto, e muitas vezes nem implicam novas tecnologias».

Mas a tecnologia está sempre presente, e deve ser vista «como um meio. O desafio não é só ser muito mais eficiente, mas sim a expansão das fronteiras das possibilidades. Temos de estar atentos à forma como se criam novas oportunidades». E, para Miguel de Castro Neto, é de salientar que «os dados são o petróleo do século XXI». Por isso, «temos de olhar para a cidade como uma plataforma, onde tudo pode estar ligado, e onde podemos captar dados das pessoas, sensores e outros sistemas, desenvolvendo capacidades analíticas avançadas, permitindo uma maior qualidade de vida».

Por outro lado, e focando o setor imobiliário, este responsável defende a desmistificação de «vários mitos», como os custos das soluções mais inteligentes ou sustentáveis. É essencial que se perceba ao certo o retorno que será gerado no tempo de vida dos ativos, e não só o investimento inicial.

Além disso, a mobilidade será uma das componentes mais importantes desta mudança, uma verdadeira «revolução cultural da partilha da mobilidade», segundo o especialista, que acredita que «os cidadãos não vão querer ser proprietários de bens, querem sim usar os seus serviços». Importa perceber como deverá ser a infraestrutura de carregamento de carros elétricos no futuro, por exemplo, ou que uso terão as atuais garagens dos edifícios.

Na implementação de algumas destas mudanças, os promotores pedem, sobretudo, coordenação e articulação entre os vários agentes, nomeadamente municípios ou legislador. 

Tendo esta Executive Breakfast Session como ponto de partida, a APPII vai constituir um grupo de trabalho para selecionar casos de estudo de projetos icónicos nesta área para apresentar durante a Semana da reabilitação Urbana, levando esta mesma discussão para "fora de portas". «queremos estar na vanguarda para fazermos mais smart buildings e smart cities», comentou na ocasião o vice-presidente executivo, Hugo Santos Ferreira.