Porto
Zona Oriental do Porto transforma-se para criar novas dinâmicas urbanas
«Queremos aproveitar as caraterísticas da área oriental do Porto para trazer novas dinâmicas», afirma o vereador do Urbanismo, Pedro Baganha.
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Arrancam finalmente vários grandes projetos na cidade do Porto e a zona oriental é o grande foco da autarquia, que elaborou um masterplan dedicado.

Os grandes projetos estruturantes do Porto estiveram em destaque durante a conferência “Os criadores da cidade – Os novos projetos estruturantes do Porto”, coorganizada pela VI, pela APPII e pela Predibisa, e que decorreu a 26 de novembro, parte da Semana da Reabilitação Urbana do Porto.

Encontram-se entre esses projetos o novo Terminal Intermodal de Campanhã. A câmara está também a desenvolver um conjunto de projetos de reabilitação para a zona Justino Teixeira, entre o terminal e a avenida 25 de Abril, onde «queremos criar uma forte zona de serviços, com um índice de construção forte», já que «junto a um polo intermodal deve haver grande densidade e crescimento urbano».

Inclui-se o novo projeto de habitação acessível do Monte da Bela, além da Praça da Corujeira, «o coração de Campanhã. Falta cumprir-se essa praça e integra-la na estrutura da cidade».

A CMP tem também intenção de dinamizar a frente ribeirinha do Freixo, «a última com alguma extensão que falta desenvolver, e é uma oportunidade inegável», nomeadamente criando um Museu da Indústria e «um novo polo cultural» nos terrenos da antiga central elétrica da EDP.

Mas a “pedra de toque” desta zona da cidade é, segundo Pedro Baganha, o projeto do Matadouro, um investimento de 40 milhões de euros da Mota Engil que vai criar aqui um novo polo empresarial, cultural e socia. «Materializa esta ideia de trazer dinâmicas exógenas para estas zonas, num território que é muito condicionado pela sua orografia e que tem problemas de mobilidade, apesar de se situar aqui o maior terminal intermodal da cidade».

Vítor Paulo Pinho, Diretor Geral da Mota Engil, afirma que a empresa não teve «dúvidas nenhumas em investir neste projeto. Queremos que o Matadouro seja local de referência na cidade, e o retorno será seguro, na nossa perspetiva».

Ainda a norte do Matadouro, a autarquia tem a intenção de transformar o local ainda ocupado pelo Mercado Abastecedor da Região do Porto, considerando a sua relocalização um ganho para a cidade e para o próprio mercado.

Apesar do foco na área oriental da cidade, Pedro Baganha lembrou que «o Porto tem um conjunto de outras oportunidades, como a concretização da avenida Nuno Álvares e zonas circundantes», exemplificou.

Hugo Santos Ferreira, Vice Presidente da APPII, também participou neste debate, e garante que «os investidores querem fazer parte das políticas públicas das cidades, construindo as nossas cidades do futuro. Contem connosco, queremos estar ao vosso lado e temos de seguir este caminho de parceria». Mas alerta que «para trazermos este investimento para o Porto precisamos de um ambiente friendly, e a Câmara do Porto tem conseguido criá-lo. E temos de continuar a combater os atrasos no licenciamento camarário. Atrasar os licenciamentos é atrasar estes projetos, e os portuenses são os primeiros que vão ganhar com o avanço destes projetos».

Mais habitação, precisa-se!

Este responsável lembrou também a necessidade de mais habitação acessível nas cidades, incluindo no Porto: «temos a procura no nosso país, e uma grande carência oferta. É uma tendência a nível europeu, e temos muitos investidores interessados. Precisamos de criar projetos que criem projetos económica e financeiramente viáveis para os privados».

Exemplo disso é o novo projeto Antas Atrium, da Quântico e da Albatross, brevemente apresentado por Carlos Vasconcellos neste fórum. O empreendimento terá mais de 1.000 habitações com um preço por metro quadrado a rondar os 3.500 euros, o que se consegue com «apartamentos mais compactos do que o normal. Corredores e áreas perdidas correspondem a metros quadrados, e o que estamos a conseguir projetar um apartamento de 120 m2 terá 100 m2 com as mesmas funcionalidades, por exemplo. Isto permitirá um ticket 10% a 20% mais baratos», explica o responsável.

Segundo Hugo Santos Ferreira, «cerca de 90% dos promotores que se dedicaram mais ao segmento de luxo depois da última crise estão agora a olhar para este segmento mais baixo. Mas temos custos de contexto muito elevados hoje. Enquanto não formos capazes de baixar esses custos de contexto, não há quem consiga montar um business plan credível e razoável. É preciso dar estabilidade, confiança, certeza jurídica para quem quer investir no nosso país. Porque estes projetos têm um teto, e cada ano de atraso vai aumentar esse teto. E todos perdem nisso», alerta.

A Mota Engil está atenta a este mercado: «estamos a acompanhar o desenvolvimento dos programas de habitação acessível, e são uma hipótese que estamos a estudar. Há muito apetite, há novos incentivos, mas estamos ainda a analisar, mas sabemos que é um programa importante e estamos convencidos de que vamos também participar».

Veja o vídeo completo desta conferência aqui.