Habitação
Oferta de arrendamento habitacional «precisa de crescer» para responder à procura
A crise vai aumentar a procura por este tipo de habitação, mas os preços são ainda demasiado elevados para os rendimentos das famílias e para a qualidade da oferta existente. O "built to rent" pode ser a resposta.
18/11/2021
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O poder de compra dos portugueses ainda não acompanha a subida dos preços de compra das habitações, o que faz com que o arrendamento seja a única via de acesso à habitação para muitas famílias. Apenas 26% dos portugueses vive em habitação arrendada, mas esta percentagem deverá crescer devido às consequências da crise pandémica.

É o que conclui o estudo “Built-to-Rent: More than a trend”, da Savills, que destaca que a oferta do mercado de arrendamento não responde à forte e crescente procura, apresentando preços demasiado elevados para a qualidade do produto apresentado.

Alexandra Gomes Portugal, Head of Research da Savills Portugal, afirma que «mais do que uma tendência, investir no desenvolvimento de uma oferta de arrendamento de qualidade, acessível a vários intervalos salariais, torna-se imprescindível no contexto de uma procura crescente e como parte essencial da resolução de um problema social».

A nível europeu, as famílias portuguesas são as que mais se endividam para comprar casa, alocando cerca de 40% dos seus rendimentos todos os meses para o pagamento de prestações de empréstimos contraídos.

Por outro lado, os números deste estudo mostram um desequilíbrio entre a evolução dos rendimentos dos portugueses e os preços de compra de habitação, mercado que fica aquém da capacidade financeira de muitas famílias, nomeadamente as monoparentais, que tenham dificuldades no acesso a créditos à habitação. Entre 2015 e 2020, os preços terão subido mais 31% que os rendimentos dos portugueses.

A Savills considera que uma solução para colmatar esta falta de oferta pode ser o modelo “Built to Rent”, que desenvolve projetos multifamily (várias unidades residenciais inseridas num só edifício ou repartidas num complexo de edifícios numa mesma contiguidade), segmento que tem vindo a crescer na Europa nos últimos anos.

Trata-se de um setor resiliente aos ciclos económicos, estável e com rendimentos de longo-prazo, o que permite diversificar as carteiras de investimento.

Segundo a consultora, há um pipeline de 10.000 fogos inseridos neste tipo de projeto em Portugal, desenvolvidos por iniciativa pública ou privada (habitação acessível). Mas os custos de construção, a carga fiscal ou as demoras nos processos de licenciamento são alguns dos obstáculos à criação desta oferta.

Fonte: Vida Imobiliária