Habitação
Promoção de habitação trava em 2021. Número de fogos em licenciamento desce 30%
Apesar da subida da procura e dos preços, o menor número de projetos submetidos reflete «as dificuldades no desenvolvimento de nova oferta», analisa a Confidencial Imobiliário.
10/02/2022
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No ano passado, a promoção imobiliária residencial registou uma descida significativa em Lisboa e no Porto, com o número de fogos submetidos a licenciamento a descer mais de 30% face ao ano anterior. Os números foram apurados pela Confidencial Imobiliário, no âmbito do Pipeline Imobiliário.

Em Lisboa, foram submetidos a licenciamento 210 novos projetos de habitação, num total de 2.520 casas, menos 31% de fogos e menos 47% de projetos que em 2020. Na Área Metropolitana, o pipeline somou os 3.760 projetos, num total de 9.300 habitações, descidas de 7% e 21%, respetivamente.

No Porto, entraram na câmara 255 projetos residenciais, num total de 2.150 fogos, menos 46% e 36%, respetivamente, face a 2020. Na Área Metropolitana, a carteira somou 1.500 projetos e 7.700 fogos, menos 26% e 11%, respetivamente, que no ano anterior.

A tendência foi semelhante a nível nacional. Em 2021, entraram em licenciamento 16.300 novos projetos de habitação, num total de 37.500 fogos, carteira que representa uma descida de 19% face a 2020, quer em número de projetos, quer em número de fogos.

Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, analisa estes números e explica que «a quebra na promoção residencial em 2021, num contexto de acréscimo da procura e de subida de preços, reflete provavelmente as dificuldades no desenvolvimento de nova oferta, como refere o mais recente inquérito (o Portuguese Investment Property Survey) que realizamos junto dos promotores imobiliários. Os entraves burocráticos, especialmente o tempo que demoram os licenciamentos, bem como o aumento dos custos de construção são apontados como os principais obstáculos ao lançamento de novos projetos».

«Neste cenário, o tipo de produto desenvolvido está a mudar, sendo claro que há uma crescente orientação para as periferias, onde a dimensão média dos projetos é menor. As quebras nas carteiras de Lisboa e Porto são uma evidência disso e há uma clara perda de quota destas duas cidades no contexto das respetivas áreas metropolitanas. Se em 2020, Lisboa gerou 32% dos fogos da AM Lisboa, em 2021 a sua quota foi de 27%. No Porto, a representatividade caiu de 39% para 28%», completa ainda.

Fonte: Vida Imobiliária