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Hugo Santos Ferreira: "temos que construir mais habitações verdes, conforme aquilo que os portugueses podem pagar"
Na primeira conferência do SIL Investment Pro, debateu-se o tema sobre as novas Directivas Europeias do Desempenho Energético dos Edifícios e o Imobiliário.
17/05/2022
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O SIL Investment Pro decorreu ao início da manhã na passada sexta-feira, com duas conferências cujos temas assentavam nas "novas Directivas Europeias do Desempenho Energético dos Edifícios e o Imobiliário" e nos "efeitos da instabilidade internacional e o aumento dos custos da construção". O comendador Jorge Rocha de Matos, Presidente da Fundação AIP, e Hugo Santos Ferreira, Presidente da APPII, iniciaram a conferência, mostrando o seu contentamento por conta da forte aderência que o SIL teve no primeiro dia, onde houve um crescimento de 400% da assistência, face ao último SIL, há cerca de 6 meses.

António Gil Machado, Diretor da Vida Imobiliária, moderador do primeiro debate, lançou ao painel a seguinte questão: «o que é que mudou de mais relevante e o que se pretende alterar nas Diretivas Europeias do Desempenho Energético para os edifícios»? Nelson Lage, Presidente da ADENE, afirmou que é uma diretiva «que aposta em coisas que a outra não havia apostado, é muito mais ambiciosa, tem um enfoque muito grande no que é a certificação e qualificação do edificado: temos o desafio de acelerar a eficiência energética. Temos de valorizar ainda mais o papel do certificado energético na requalificação e reabilitação urbana», salientando ainda que se deverá fazer uma «grande aposta na transformação dos edifícios nZEB para uma emissão nula de emissões de carbono».

Diogo Freire de Andrade, Partner na Conceito Arquitetos, refere que «os edifícios vão ter que gastar menos energia» e, a energia que gasta, deve ser por exemplo, «energia solar fotovoltaica». Sendo que se estima que «88% desses edifícios ainda não correspondem ao que a diretiva exige, estas certificações energéticas vão dar pistas de como tu começares pelo zero. Até 2030 todos os edifícios novos vão ter carbono zero, vai ser uma revolução exigente. Há muito trabalho aqui para fazer», assinala Diogo Freire, Partner na Conceito Arquitetos.

António Gil Machado, ao colocar em debate o ponto de o promotor ser capaz de ouvir estas diretrizes, os arquitetos e engenheiros, e, ainda assim ser capaz de equacionar economicamente a construção dos edifícios, Miguel Cabrita, Board Member at MEXTO Property Investment, concorda que «tentar o que pretendemos desenvolver com o que queremos aplicar, juntamente com os arquitetos e engenheiros, não é fácil» sendo que a Mexto faz «um esforço nesse sentido, fazendo um trabalho em conjunto com todas as equipas envolventes no projeto», salientando que, no que toca à construção de casas A+, «nas engenharias ainda há muita falta de sensibilidade nesta temática, não vi alterações significativas nas legislações das engenharias, e estamos a poucos anos de 2030».

Hugo Santos Ferreira, Presidente da APPII, refere que «queremos num futuro mais próximo, e o tempo vai ser mais longo do que próximo, chegar a essa meta da eficiência energética», frisando que «temos diretrizes carbono zero, que já transpomos, mas não há adequação das políticas nacionais para tornar isso numa realidade. Os regulamentos autárquicos não são adequados. Temos que fazer uma grande consciencialização». O Presidente da APPII atenta ainda para a "confusão" que existe entre as políticas nacionais e europeias: «quero um projeto com painéis voltaicos no centro de Lisboa, mas o projeto chumba. No entanto, a União Europeia diz que posso e tenho de fazer. Em que é que ficamos?», confessando ainda que «chegamos a 2030 e podemos passar pela vergonha de ainda não termos chegado a estas metas».

Referenciando o PRR, Nelson Lage, acredita que «o balanço é positivo deste programa, mas não podemos pensar que o PRR vai ser o salvador do parque residencial nacional», sendo que é «um programa que irá decorrer enquanto houver financiamento e verba».

Hugo Santos Ferreira, aquando do PRR, menciona que «nós, hoje, temos uma oportunidade única no nosso país: o PRR que nos pode trazer habitação mais verde», referindo-se ainda às green bonds, linhas de financiamento verde, fundos que já ocorrem em outros países, sendo «importantes para a mitigação das alterações climáticas».